Concentrador de oxigênio branco sobre rodinhas em uma sala clara, com a cânula nasal por cima

Oxigenoterapia

Concentrador de oxigênio: como funciona e quem precisa

O concentrador tira oxigênio do próprio ar da casa e entrega ao paciente pela cânula nasal. Entenda como ele funciona, quando é indicado e como usar com segurança.

5 min de leituraPor Sonofisio

O concentrador de oxigênio é um aparelho elétrico que puxa o ar do ambiente, separa o nitrogênio e entrega ao paciente um ar rico em oxigênio, normalmente por uma cânula nasal. Ele é usado por pessoas que têm pouco oxigênio no sangue por causa de uma doença crônica, como a DPOC. O uso é sempre por prescrição médica, que define o fluxo de oxigênio e por quantas horas por dia ele deve ser usado.

Como o concentrador funciona

O ar que respiramos tem cerca de 21% de oxigênio. Segundo a FDA, a agência de saúde dos Estados Unidos, o concentrador usa bombas elétricas para captar o ar da sala, filtrar o nitrogênio e fornecer um fluxo de oxigênio mais concentrado.

A diferença para o cilindro é que o concentrador produz o oxigênio na hora. Por isso, ele não precisa ser recarregado e o oxigênio não acaba, mas depende de energia elétrica ou de bateria para funcionar.

Quem precisa de oxigênio em casa

A oxigenoterapia domiciliar prolongada é indicada quando uma doença respiratória crônica causa falta de oxigênio no sangue (hipoxemia). Pelas recomendações de 2022 da Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia (SBPT), a indicação se baseia na gasometria arterial, um exame de sangue colhido da artéria. A oximetria de dedo serve para triagem: quando a saturação fica em 92% ou menos, o médico pede a gasometria.

Quando o oxigênio é indicado, a SBPT orienta uso de no mínimo 15 horas por dia, incluindo o período de sono, com fluxo suficiente para manter a saturação acima de 90%. A diretriz da Sociedade Torácica Americana (ATS) também recomenda oxigênio de longo prazo para adultos com DPOC ou doença pulmonar intersticial com falta grave de oxigênio em repouso.

Oxigênio é remédio. A FDA alerta que usar concentrador sem prescrição pode levar a receber oxigênio demais ou de menos, e que o excesso pode causar intoxicação por oxigênio. Também não se deve mudar o fluxo por conta própria.

Na apneia do sono, o oxigênio não substitui o CPAP. A SBPT aponta que o CPAP é superior ao oxigênio noturno para reduzir as apneias. Em alguns casos, o médico pode associar oxigênio ao CPAP, quando a saturação continua baixa mesmo com a pressão bem ajustada. Saiba mais sobre o que é apneia do sono.

Estacionário ou portátil

  • Concentrador estacionário: maior, fica em casa e funciona ligado na tomada. É usado dentro de casa, inclusive durante o sono.
  • Concentrador portátil: menor, funciona com bateria recarregável e permite sair de casa. Muitos trabalham com fluxo pulsado. Segundo a ATS, poucos portáteis conseguem fornecer 3 litros por minuto em fluxo contínuo, e os que conseguem pesam mais de 9 kg e precisam de carrinho.
  • Cilindros: guardam oxigênio sob pressão, existem em vários tamanhos e não dependem de energia, por isso servem de reserva quando falta luz.

A escolha depende da prescrição e da rotina do paciente. A ATS destaca que o equipamento deve combinar com as necessidades físicas, com o estilo de vida e com o quanto a pessoa sai de casa.

Fluxo contínuo ou pulsado

No fluxo contínuo, o oxigênio sai o tempo todo, no mesmo ritmo, independentemente da respiração. No fluxo pulsado, o aparelho libera uma dose de oxigênio só no momento em que a pessoa inspira.

No modo pulsado, o número do ajuste não equivale aos litros por minuto do fluxo contínuo.

A ATS alerta que um fluxo contínuo de 5 litros por minuto e o ajuste 5 de um aparelho pulsado podem não entregar a mesma quantidade de oxigênio, apesar do que dizem algumas propagandas. Para quem precisa de mais de 3 litros por minuto em fluxo contínuo durante o esforço, os portáteis pulsados podem não ser suficientes. Por isso, a SBPT recomenda ajustar o fluxo em diferentes momentos (repouso, atividades do dia a dia, sono e esforço) e testar o aparelho, já que o equipamento pode fornecer um fluxo diferente do que indica.

Cuidados de segurança em casa

O oxigênio não pega fogo sozinho, mas acelera a combustão e aumenta o risco de incêndio, como explica a SBPT. A ATS cita inclusive acidentes com queimaduras em usuários de cigarro eletrônico. Os principais cuidados, segundo a MedlinePlus, a FDA e a ATS, são:

  • Não fumar e não deixar ninguém fumar no ambiente onde o oxigênio é usado.
  • Manter o oxigênio a pelo menos 2 metros de fogão, velas, lareira, aquecedores e outras fontes de calor ou chama.
  • Não usar vaselina nem cremes à base de petróleo no rosto e na parte de cima do corpo.
  • Deixar o concentrador em local aberto e ventilado, sem bloquear as saídas de ar, para evitar superaquecimento.
  • Ter detector de fumaça e extintor funcionando em casa.
  • Cuidar para ninguém tropeçar na extensão da cânula.
  • Ter uma reserva de oxigênio (cilindro) para quedas de energia, conforme a orientação da equipe que acompanha o paciente.
  • Avisar a companhia de energia que há uma pessoa em casa que usa oxigênio.

Limpeza e manutenção

A MedlinePlus orienta lavar o tubo plástico uma ou duas vezes por semana com água e sabão e enxaguar bem, além de trocar a cânula a cada 2 a 4 semanas. O filtro de ar do concentrador deve ser limpo ou trocado conforme o manual do fabricante. A FDA também recomenda verificar o aparelho e os alarmes de tempos em tempos.

Se surgirem dor de cabeça frequente, sonolência ou confusão, lábios ou unhas arroxeados ou respiração difícil, confira primeiro se o oxigênio está saindo e se não há vazamento nas conexões. Se o equipamento estiver funcionando, procure o médico.

Como escolher com segurança

A Sonofisio trabalha com concentrador de oxigênio GasLive e orienta a escolha do aparelho adequado à prescrição de cada paciente. Veja a página do concentrador de oxigênio e o guia prático de como escolher o concentrador em São José dos Campos. Se o oxigênio for usado junto com um aparelho de pressão positiva, vale entender a diferença entre CPAP e BIPAP.

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Referências

  1. Castellano MVCO, Pereira LFF, Feitosa PHR, Knorst MM, et al. Recomendações para oxigenoterapia domiciliar prolongada da Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia (2022). J Bras Pneumol. 2022;48(5):e20220179. doi.org/10.36416/1806-3756/e20220179
  2. Jacobs SS, Krishnan JA, Lederer DJ, et al. Home Oxygen Therapy for Adults with Chronic Lung Disease. An Official American Thoracic Society Clinical Practice Guideline. Am J Respir Crit Care Med. 2020;202(10):e121-e141. doi.org/10.1164/rccm.202009-3608ST
  3. U.S. Food and Drug Administration (FDA). Oxímetros de pulso y concentradores de oxígeno: lo que debe saber sobre la terapia de oxígeno en el hogar. Artículos para el consumidor. www.fda.gov/consumers/articulos-para-el-consumidor-en-espanol/oximetros-de-pulso-y-concentradores-de-oxigeno-lo-que-debe-saber-sobre-la-terapia-de-oxigeno-en-el
  4. MedlinePlus, U.S. National Library of Medicine. Using oxygen at home. Medical Encyclopedia. medlineplus.gov/ency/patientinstructions/000048.htm
  5. MedlinePlus, U.S. National Library of Medicine. Oxygen safety. Medical Encyclopedia. medlineplus.gov/ency/patientinstructions/000049.htm

Conteúdo informativo. Não substitui a consulta: o diagnóstico e a indicação de tratamento são feitos pelo médico.

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Ft. Ana Cláudia Matos e Faria, fisioterapeuta e fundadora da Sonofisio, de jaleco e braços cruzados

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