
Diagnóstico
Oximetria noturna: o que é e quando o exame é pedido
A oximetria noturna registra a oxigenação do sangue e o pulso durante a noite, com um sensor no dedo. É simples e útil em várias situações, mas tem limites para o diagnóstico da apneia.
A oximetria noturna é um exame que mede a oxigenação do sangue e o pulso durante a noite inteira, com um sensor colocado no dedo. Ela mostra se o oxigênio cai de forma repetida enquanto você dorme, o que pode acontecer na apneia do sono. O exame é pedido para rastrear a apneia e para acompanhar o tratamento, mas sozinho, em geral, não substitui a polissonografia para confirmar o diagnóstico.
Como o oxímetro funciona
O oxímetro de pulso é um pequeno aparelho em forma de clipe, normalmente colocado na ponta do dedo. Segundo a MedlinePlus, da Biblioteca Nacional de Medicina dos Estados Unidos, ele emite uma luz que atravessa a pele, e um sensor mede quanto dessa luz passa. Com isso, o aparelho estima o nível de oxigênio no sangue (a saturação) e a frequência cardíaca.
Na oximetria noturna, essa medida é gravada continuamente durante o sono. No dia seguinte, os dados viram um gráfico da noite inteira, que é analisado para ver quando e quanto a oxigenação caiu. O exame não dói e não exige cânula no nariz nem cinta no peito.
O que o resultado mostra
- Saturação ao longo da noite: como a oxigenação se comportou do início ao fim do sono.
- Quedas de oxigênio (dessaturações): quantas vezes o oxigênio caiu e quanto caiu.
- Padrão das quedas: quedas em ciclos, que sobem e descem várias vezes, são um sinal típico de eventos respiratórios repetidos, como descreve o consenso da Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia (SBPT).
- Pulso: a variação da frequência cardíaca durante a noite.
Como referência, a MedlinePlus considera normal uma saturação de 95% a 100%. Durante o sono, porém, a leitura do exame envolve muito mais do que um número isolado. Quem interpreta o resultado é o médico, considerando seus sintomas e sua saúde como um todo.
Quando o exame é pedido
Uma revisão publicada na revista Chest descreve a oximetria noturna como ferramenta usada tanto no diagnóstico quanto no tratamento dos distúrbios respiratórios do sono. Na prática, o médico pode pedir o exame para:
- Rastrear a apneia do sono em quem tem sintomas como ronco alto, pausas na respiração ou sonolência durante o dia. O consenso da SBPT reconhece a oximetria como um bom teste de triagem.
- Acompanhar o tratamento, por exemplo para ver se a terapia com CPAP ou BIPAP está mantendo a oxigenação estável durante a noite.
- Avaliar a oxigenação durante o sono em outras situações, de acordo com a avaliação médica.
Vantagens do exame
A SBPT aponta que a oximetria é fácil de aplicar e não invasiva. O sensor é pequeno, o exame é feito em casa e a pessoa dorme praticamente como em qualquer outra noite. Isso facilita repetir a medida quando o médico quer comparar resultados ao longo do tempo.
Os limites da oximetria
A oximetria mede bem a oxigenação, mas registra pouca coisa além dela. Por isso, o consenso da SBPT lista limitações importantes:
- pode dar falso negativo, ou seja, vir normal em quem tem apneia;
- não diferencia a apneia obstrutiva (em que a garganta se fecha) da apneia central (em que o cérebro deixa de comandar a respiração);
- a precisão pode cair em casos de anemia, pressão baixa, problemas de circulação nas extremidades, obesidade, DPOC e movimentos durante o sono.
A SBPT conclui que ainda são necessários mais estudos antes de usar a oximetria domiciliar como teste diagnóstico isolado da apneia, especialmente em crianças e em pessoas com outras doenças importantes. A diretriz da Academia Americana de Medicina do Sono (AASM) também não inclui a oximetria isolada entre os conjuntos mínimos de sensores de um teste domiciliar de apneia.
Oximetria normal não descarta apneia. Se os sintomas continuam, converse com o médico sobre a polissonografia.
A comparação completa entre os dois exames está em oximetria noturna ou polissonografia: qual é a diferença.
Como se preparar para o exame
A MedlinePlus cita alguns fatores que podem atrapalhar a leitura do oxímetro. Alguns cuidados simples ajudam:
- retire o esmalte escuro e as unhas postiças do dedo onde vai o sensor;
- mantenha as mãos aquecidas, porque pele fria e circulação ruim prejudicam a medida;
- durma no seu horário de costume e mantenha a rotina habitual;
- se acordar à noite, confira se o sensor continua bem colocado no dedo.
A MedlinePlus também lembra que o tabagismo e a pele mais escura podem afetar a leitura. Por isso, o resultado sempre deve ser avaliado pelo médico, junto com a sua história.
O que acontece depois do exame
O resultado vai para o médico, que compara os dados com os seus sintomas. A partir daí, alguns caminhos são comuns:
- Quedas repetidas de oxigênio em quem ainda não tem diagnóstico: o médico pode pedir a polissonografia para confirmar a apneia e medir a gravidade.
- Oximetria normal, mas com sintomas: como o exame pode dar falso negativo, a investigação pode seguir com a polissonografia.
- Em quem já usa CPAP ou BIPAP: o resultado ajuda o médico e a equipe a avaliar se a terapia está funcionando e se algum ajuste precisa ser discutido.
Oximetria noturna com a Sonofisio
A Sonofisio realiza a oximetria noturna com o oxímetro Biologix, tanto para rastreio quanto para acompanhar se a terapia com CPAP ou BIPAP está sendo eficaz. Quem já usa o aparelho também pode contar com o acompanhamento da adaptação; o artigo sobre as primeiras semanas com CPAP traz orientações para essa fase.
Para quem ainda não tem diagnóstico e precisa confirmar a apneia, o exame indicado pelas diretrizes é a polissonografia. Ela é necessária, junto com a indicação médica, para comprar ou alugar um CPAP, e pode ser feita em casa com a polissonografia domiciliar.
Referências
- MedlinePlus (U.S. National Library of Medicine). Pulse Oximetry. medlineplus.gov/lab-tests/pulse-oximetry/
- Netzer N, Eliasson AH, Netzer C, Kristo DA. Overnight pulse oximetry for sleep-disordered breathing in adults: a review. Chest. 2001;120(2):625-633. doi.org/10.1378/chest.120.2.625
- Duarte RLM, Togeiro SMGP, Palombini LO, et al. Brazilian Thoracic Association Consensus on Sleep-disordered Breathing. J Bras Pneumol. 2022;48(4):e20220106. doi.org/10.36416/1806-3756/e20220106
- Kapur VK, Auckley DH, Chowdhuri S, et al. Clinical Practice Guideline for Diagnostic Testing for Adult Obstructive Sleep Apnea: An American Academy of Sleep Medicine Clinical Practice Guideline. J Clin Sleep Med. 2017;13(3):479-504. doi.org/10.5664/jcsm.6506
Conteúdo informativo. Não substitui a consulta: o diagnóstico e a indicação de tratamento são feitos pelo médico.




