
Apneia do sono
Ronco e apneia do sono: quando o ronco merece investigação
Nem todo ronco é apneia do sono. Veja o que causa o ronco, quais sinais indicam que vale investigar e como é feito o diagnóstico.
Roncar não é o mesmo que ter apneia do sono. O ronco é o som da vibração dos tecidos da garganta quando o ar passa por um espaço mais estreito durante o sono. Na apneia obstrutiva do sono, essa passagem se fecha total ou parcialmente várias vezes por noite, com pausas na respiração. O ronco merece investigação quando vem junto com pausas respiratórias, engasgos, sono que não descansa, sonolência durante o dia ou pressão alta.
Por que a gente ronca
Durante o sono, os músculos da garganta relaxam e a língua tende a ir para trás. Quando o ar não passa livremente pelo nariz e pela boca, as paredes da garganta vibram e produzem o barulho do ronco, como explica a enciclopédia médica MedlinePlus, da Biblioteca Nacional de Medicina dos Estados Unidos.
Alguns fatores deixam esse estreitamento mais provável:
- Excesso de peso, que aumenta o volume de tecido ao redor da via aérea.
- Nariz entupido por gripe, resfriado ou alergia.
- Desvio de septo ou pólipos no nariz.
- Palato mole ou úvula (a campainha) aumentados, amígdalas ou adenoides grandes.
- Perda de tônus muscular com a idade.
- Álcool, remédios para dormir ou antialérgicos perto da hora de deitar.
Ronco simples e apneia do sono: qual é a diferença
No ronco simples, o ar continua passando, só que com barulho. Na apneia obstrutiva do sono, a via aérea se fecha por completo ou quase por completo, a respiração para ou fica muito reduzida por alguns segundos e a oxigenação do sangue cai. Isso se repete ao longo da noite e deixa o sono fragmentado.
Uma pesquisa ajuda a enxergar a diferença. No estudo que criou a Escala de Sonolência de Epworth, as pessoas que apenas roncavam tiveram pontuação de sonolência semelhante à de quem não tinha problema de sono. Já os pacientes com apneia obstrutiva tiveram pontuações mais altas.
A apneia também é comum. No Estudo Epidemiológico do Sono de São Paulo, que avaliou 1.042 adultos com polissonografia, 32,8% tinham síndrome da apneia obstrutiva do sono. Ser homem, ter obesidade e ter mais idade foram fatores fortemente associados ao problema.
Sinais de que o ronco merece investigação
Segundo a MedlinePlus, vale procurar avaliação médica quando o ronco aparece junto com:
- Pausas na respiração percebidas por quem dorme ao lado, ou ronco alto com engasgos e respiração ofegante.
- Sonolência excessiva durante o dia.
- Acordar sem se sentir descansado ou com dor de cabeça pela manhã.
- Dificuldade de atenção, concentração ou memória.
- Ronco que não melhora com as medidas simples do dia a dia.
A diretriz de diagnóstico da Academia Americana de Medicina do Sono (AASM) considera maior o risco de apneia moderada a grave quando existe sonolência excessiva durante o dia junto com pelo menos dois destes três sinais: ronco alto e habitual, pausas ou engasgos observados durante o sono e diagnóstico de pressão alta. Veja mais sobre essa ligação em apneia do sono e pressão alta e a lista completa de sinais em sintomas de apneia do sono.
Ronco alto e frequente, com pausas na respiração ou cansaço durante o dia, é motivo para conversar com o médico.
Questionários ajudam, mas não fecham o diagnóstico
Existem questionários de triagem, como o STOP-Bang. Ele pergunta sobre ronco, cansaço durante o dia, pausas respiratórias observadas e pressão alta, e acrescenta dados de índice de massa corporal, idade, circunferência do pescoço e sexo.
Esses questionários apontam quem tem mais chance de ter apneia. A própria AASM recomenda que eles não sejam usados sozinhos para diagnosticar a doença: o diagnóstico depende de um exame do sono, a polissonografia ou o teste domiciliar para apneia do sono.
Como o ronco é investigado
Quem escolhe o exame é o médico, depois de avaliar a história e o exame físico. A polissonografia é o exame de referência. Para adultos sem outras doenças importantes e com sinais de risco de apneia moderada a grave, a AASM aceita a polissonografia ou um teste domiciliar feito com aparelho tecnicamente adequado.
Se o teste domiciliar vier negativo, inconclusivo ou com falha técnica, a recomendação é fazer a polissonografia. Em algumas situações, como doença importante do coração ou do pulmão, fraqueza dos músculos respiratórios, histórico de AVC, uso crônico de opioides ou insônia grave, a diretriz prefere a polissonografia completa desde o início.
Na polissonografia domiciliar feita pela Sonofisio, o paciente recebe orientação para colocar os sensores, dorme em casa e devolve o equipamento no dia seguinte. O aparelho, o ApneaLink Air, da ResMed, registra até cinco canais: esforço respiratório, pulso, saturação de oxigênio, fluxo nasal e ronco. O laudo é feito por médico. Entenda melhor esse exame em polissonografia tipo 3: o que é.
O que ajuda no ronco do dia a dia
Para o ronco sem apneia, a MedlinePlus sugere medidas simples:
- Evitar álcool e remédios que dão sono perto da hora de deitar.
- Dormir de lado, em vez de barriga para cima.
- Perder peso, se houver excesso.
- Tratar o nariz entupido e as alergias com orientação médica.
- Adesivos nasais podem abrir um pouco as narinas, mas não tratam a apneia do sono.
Se o exame confirmar apneia, o tratamento é definido pelo médico conforme a gravidade e o quadro de cada pessoa. As opções incluem perda de peso e atividade física, aparelho intraoral que posiciona a mandíbula para frente, cirurgia em casos selecionados e o aparelho de pressão positiva, como o CPAP, que mantém a via aérea aberta com um fluxo de ar.
Para comprar ou alugar um CPAP é preciso ter o diagnóstico feito pelo exame do sono e a indicação médica. Com isso em mãos, veja como funciona a venda e locação de CPAP e BIPAP.
Referências
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- MedlinePlus, U.S. National Library of Medicine. Snoring - adults. Medical Encyclopedia. medlineplus.gov/ency/patientinstructions/000720.htm
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Conteúdo informativo. Não substitui a consulta: o diagnóstico e a indicação de tratamento são feitos pelo médico.




