Cama vazia com lençóis amassados à noite, com a luz da lua entrando pela cortina

Apneia do sono

Ronco e apneia do sono: quando o ronco merece investigação

Nem todo ronco é apneia do sono. Veja o que causa o ronco, quais sinais indicam que vale investigar e como é feito o diagnóstico.

5 min de leituraPor Sonofisio

Roncar não é o mesmo que ter apneia do sono. O ronco é o som da vibração dos tecidos da garganta quando o ar passa por um espaço mais estreito durante o sono. Na apneia obstrutiva do sono, essa passagem se fecha total ou parcialmente várias vezes por noite, com pausas na respiração. O ronco merece investigação quando vem junto com pausas respiratórias, engasgos, sono que não descansa, sonolência durante o dia ou pressão alta.

Por que a gente ronca

Durante o sono, os músculos da garganta relaxam e a língua tende a ir para trás. Quando o ar não passa livremente pelo nariz e pela boca, as paredes da garganta vibram e produzem o barulho do ronco, como explica a enciclopédia médica MedlinePlus, da Biblioteca Nacional de Medicina dos Estados Unidos.

Alguns fatores deixam esse estreitamento mais provável:

  • Excesso de peso, que aumenta o volume de tecido ao redor da via aérea.
  • Nariz entupido por gripe, resfriado ou alergia.
  • Desvio de septo ou pólipos no nariz.
  • Palato mole ou úvula (a campainha) aumentados, amígdalas ou adenoides grandes.
  • Perda de tônus muscular com a idade.
  • Álcool, remédios para dormir ou antialérgicos perto da hora de deitar.

Ronco simples e apneia do sono: qual é a diferença

No ronco simples, o ar continua passando, só que com barulho. Na apneia obstrutiva do sono, a via aérea se fecha por completo ou quase por completo, a respiração para ou fica muito reduzida por alguns segundos e a oxigenação do sangue cai. Isso se repete ao longo da noite e deixa o sono fragmentado.

Uma pesquisa ajuda a enxergar a diferença. No estudo que criou a Escala de Sonolência de Epworth, as pessoas que apenas roncavam tiveram pontuação de sonolência semelhante à de quem não tinha problema de sono. Já os pacientes com apneia obstrutiva tiveram pontuações mais altas.

A apneia também é comum. No Estudo Epidemiológico do Sono de São Paulo, que avaliou 1.042 adultos com polissonografia, 32,8% tinham síndrome da apneia obstrutiva do sono. Ser homem, ter obesidade e ter mais idade foram fatores fortemente associados ao problema.

Sinais de que o ronco merece investigação

Segundo a MedlinePlus, vale procurar avaliação médica quando o ronco aparece junto com:

  • Pausas na respiração percebidas por quem dorme ao lado, ou ronco alto com engasgos e respiração ofegante.
  • Sonolência excessiva durante o dia.
  • Acordar sem se sentir descansado ou com dor de cabeça pela manhã.
  • Dificuldade de atenção, concentração ou memória.
  • Ronco que não melhora com as medidas simples do dia a dia.

A diretriz de diagnóstico da Academia Americana de Medicina do Sono (AASM) considera maior o risco de apneia moderada a grave quando existe sonolência excessiva durante o dia junto com pelo menos dois destes três sinais: ronco alto e habitual, pausas ou engasgos observados durante o sono e diagnóstico de pressão alta. Veja mais sobre essa ligação em apneia do sono e pressão alta e a lista completa de sinais em sintomas de apneia do sono.

Ronco alto e frequente, com pausas na respiração ou cansaço durante o dia, é motivo para conversar com o médico.

Questionários ajudam, mas não fecham o diagnóstico

Existem questionários de triagem, como o STOP-Bang. Ele pergunta sobre ronco, cansaço durante o dia, pausas respiratórias observadas e pressão alta, e acrescenta dados de índice de massa corporal, idade, circunferência do pescoço e sexo.

Esses questionários apontam quem tem mais chance de ter apneia. A própria AASM recomenda que eles não sejam usados sozinhos para diagnosticar a doença: o diagnóstico depende de um exame do sono, a polissonografia ou o teste domiciliar para apneia do sono.

Como o ronco é investigado

Quem escolhe o exame é o médico, depois de avaliar a história e o exame físico. A polissonografia é o exame de referência. Para adultos sem outras doenças importantes e com sinais de risco de apneia moderada a grave, a AASM aceita a polissonografia ou um teste domiciliar feito com aparelho tecnicamente adequado.

Se o teste domiciliar vier negativo, inconclusivo ou com falha técnica, a recomendação é fazer a polissonografia. Em algumas situações, como doença importante do coração ou do pulmão, fraqueza dos músculos respiratórios, histórico de AVC, uso crônico de opioides ou insônia grave, a diretriz prefere a polissonografia completa desde o início.

Na polissonografia domiciliar feita pela Sonofisio, o paciente recebe orientação para colocar os sensores, dorme em casa e devolve o equipamento no dia seguinte. O aparelho, o ApneaLink Air, da ResMed, registra até cinco canais: esforço respiratório, pulso, saturação de oxigênio, fluxo nasal e ronco. O laudo é feito por médico. Entenda melhor esse exame em polissonografia tipo 3: o que é.

O que ajuda no ronco do dia a dia

Para o ronco sem apneia, a MedlinePlus sugere medidas simples:

  • Evitar álcool e remédios que dão sono perto da hora de deitar.
  • Dormir de lado, em vez de barriga para cima.
  • Perder peso, se houver excesso.
  • Tratar o nariz entupido e as alergias com orientação médica.
  • Adesivos nasais podem abrir um pouco as narinas, mas não tratam a apneia do sono.

Se o exame confirmar apneia, o tratamento é definido pelo médico conforme a gravidade e o quadro de cada pessoa. As opções incluem perda de peso e atividade física, aparelho intraoral que posiciona a mandíbula para frente, cirurgia em casos selecionados e o aparelho de pressão positiva, como o CPAP, que mantém a via aérea aberta com um fluxo de ar.

Para comprar ou alugar um CPAP é preciso ter o diagnóstico feito pelo exame do sono e a indicação médica. Com isso em mãos, veja como funciona a venda e locação de CPAP e BIPAP.

Referências

  1. Kapur VK, Auckley DH, Chowdhuri S, et al. Clinical Practice Guideline for Diagnostic Testing for Adult Obstructive Sleep Apnea: An American Academy of Sleep Medicine Clinical Practice Guideline. J Clin Sleep Med. 2017;13(3):479-504. doi.org/10.5664/jcsm.6506
  2. MedlinePlus, U.S. National Library of Medicine. Snoring - adults. Medical Encyclopedia. medlineplus.gov/ency/patientinstructions/000720.htm
  3. Johns MW. A new method for measuring daytime sleepiness: the Epworth sleepiness scale. Sleep. 1991;14(6):540-545. doi.org/10.1093/sleep/14.6.540
  4. Tufik S, Santos-Silva R, Taddei JA, Bittencourt LR. Obstructive sleep apnea syndrome in the Sao Paulo Epidemiologic Sleep Study. Sleep Med. 2010;11(5):441-446. doi.org/10.1016/j.sleep.2009.10.005
  5. Chung F, Yegneswaran B, Liao P, et al. STOP questionnaire: a tool to screen patients for obstructive sleep apnea. Anesthesiology. 2008;108(5):812-821. doi.org/10.1097/ALN.0b013e31816d83e4
  6. Gottlieb DJ, Punjabi NM. Diagnosis and Management of Obstructive Sleep Apnea: A Review. JAMA. 2020;323(14):1389-1400. doi.org/10.1001/jama.2020.3514

Conteúdo informativo. Não substitui a consulta: o diagnóstico e a indicação de tratamento são feitos pelo médico.

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Ft. Ana Cláudia Matos e Faria, fisioterapeuta e fundadora da Sonofisio, de jaleco e braços cruzados

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