Componentes do exame do sono domiciliar: cinta de esforço respiratório, cânula nasal e oxímetro de dedo

Diagnóstico

Polissonografia tipo 3: o que o exame mede e quais são os limites

A polissonografia tipo 3 é o teste portátil de apneia feito em casa. Ela registra respiração e oxigenação, mas não o sono em si, e isso muda a forma de ler o resultado.

5 min de leituraPor Sonofisio

A polissonografia tipo 3 é um exame portátil, feito em casa, que registra a respiração, o esforço para respirar, a oxigenação do sangue e a frequência cardíaca durante a noite. Ela também é chamada de poligrafia respiratória ou teste domiciliar de apneia do sono. Serve para investigar a apneia obstrutiva do sono, mas não registra as ondas cerebrais, e por isso tem limites que vale conhecer.

Os quatro tipos de exame do sono

Os exames do sono são classificados em quatro tipos, de acordo com a quantidade de sinais registrados e com a presença ou não de um técnico durante a noite. A diretriz de 2017 da Academia Americana de Medicina do Sono (AASM) resume assim:

  • Tipo 1: polissonografia completa no laboratório. Feita em clínica de sono, com técnico acompanhando a noite toda. Registra ondas cerebrais, movimentos dos olhos, tônus muscular, respiração, oxigenação, coração e outros sinais. É o exame de referência.
  • Tipo 2: polissonografia completa sem acompanhamento. Usa os mesmos sensores do tipo 1, mas sem técnico ao lado. Pode ser feita fora do laboratório.
  • Tipo 3: teste domiciliar de apneia (poligrafia). Registra sinais limitados do coração e da respiração: pelo menos duas medidas respiratórias (como fluxo de ar e esforço), a saturação de oxigênio e uma medida cardíaca, como o pulso.
  • Tipo 4: aparelhos de um ou dois canais. Em geral, medem a saturação de oxigênio e a frequência cardíaca, como a oximetria noturna, ou em alguns casos só o fluxo de ar.

Os tipos 2, 3 e 4 são feitos sem técnico presente. Quando se fala em polissonografia domiciliar no dia a dia, quase sempre se trata do tipo 3.

O que o tipo 3 mede, na prática

Um exemplo é o ApneaLink Air, da ResMed, usado pela Sonofisio na polissonografia domiciliar. Ele registra até cinco canais:

  • fluxo nasal, pela cânula no nariz, que mostra quando o ar para ou diminui;
  • esforço respiratório, pela cinta no peito, que mostra se o corpo continua tentando respirar;
  • saturação de oxigênio e pulso, pelo sensor no dedo;
  • ronco, captado pela vibração na cânula.

Juntando esses sinais, o médico calcula quantas vezes por hora a respiração parou ou ficou fraca e observa as quedas de oxigênio. A diretriz da AASM considera tecnicamente adequado o registro com pelo menos 4 horas de dados bons de fluxo de ar e oxigenação.

O que o tipo 3 não mede

O teste domiciliar não registra eletroencefalograma, movimento dos olhos nem tônus muscular, que são os sinais usados para saber se a pessoa está dormindo e em qual fase do sono. Isso traz três consequências:

  • Divide pelo tempo de gravação, não pelo tempo de sono. Se você ficou uma hora acordado na cama, essa hora entra na conta e o índice fica menor.
  • Não vê despertares rápidos. Respirações fracas que só causam um microdespertar, sem queda de oxigênio, podem passar sem registro.
  • Não avalia outros distúrbios do sono. Problemas do sono que não são respiratórios precisam de outro tipo de investigação.

Por esses motivos, a AASM e o consenso da Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia (SBPT) afirmam que o tipo 3 tende a subestimar a gravidade da apneia. A SBPT observa que, em geral, essa diferença não parece ter grande relevância clínica, mas pesa mais na apneia leve e em pessoas com eventos com pouca queda de oxigênio, como jovens, mulheres e pessoas com peso normal.

Um resultado normal no exame em casa não descarta apneia quando os sintomas continuam. Nesse caso, o próximo passo indicado é a polissonografia no laboratório.

Para quem o tipo 3 é indicado

A diretriz da AASM recomenda o teste domiciliar para adultos sem complicações clínicas importantes e com risco aumentado de apneia moderada a grave: sonolência excessiva durante o dia somada a pelo menos dois sinais entre ronco alto habitual, pausas ou engasgos percebidos por outra pessoa e pressão alta diagnosticada. Os sintomas de apneia do sono ajudam a entender esse quadro.

A mesma diretriz recomenda a polissonografia no laboratório, e não o teste em casa, para quem tem doença cardíaca ou pulmonar importante, doença neuromuscular, suspeita de hipoventilação, uso crônico de opioides, história de AVC, insônia grave ou suspeita de outro distúrbio do sono.

A AASM também reforça três pontos: o teste domiciliar é um exame que deve ser pedido pelo médico, não deve ser usado para rastrear pessoas sem sintomas e os dados brutos precisam ser revisados por médico, sem depender só da leitura automática do aparelho.

Quando o resultado vem negativo ou falha

Se um único teste domiciliar vier negativo, inconclusivo ou tecnicamente inadequado, a diretriz da AASM recomenda fazer a polissonografia no laboratório, e não repetir o teste em casa. A decisão é do seu médico, que considera os sintomas e a história completa.

Tipo 3 ou oximetria?

A oximetria noturna é um exame do tipo 4: mede principalmente a oxigenação e o pulso. Ela é útil em algumas situações, mas registra menos informação do que o tipo 3. A diferença está explicada em oximetria noturna ou polissonografia.

E depois do diagnóstico?

Se o laudo confirmar a apneia e o médico indicar CPAP, o diagnóstico pela polissonografia e a prescrição médica são necessários para comprar ou alugar o aparelho. Quem mora em São José dos Campos pode ver como funciona o exame na cidade em polissonografia domiciliar em São José dos Campos.

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Referências

  1. Kapur VK, Auckley DH, Chowdhuri S, et al. Clinical Practice Guideline for Diagnostic Testing for Adult Obstructive Sleep Apnea: An American Academy of Sleep Medicine Clinical Practice Guideline. J Clin Sleep Med. 2017;13(3):479-504. doi.org/10.5664/jcsm.6506
  2. Rosen IM, Kirsch DB, Carden KA, et al. Clinical Use of a Home Sleep Apnea Test: An Updated American Academy of Sleep Medicine Position Statement. J Clin Sleep Med. 2018;14(12):2075-2077. doi.org/10.5664/jcsm.7540
  3. Collop NA, Anderson WM, Boehlecke B, et al. Clinical guidelines for the use of unattended portable monitors in the diagnosis of obstructive sleep apnea in adult patients. J Clin Sleep Med. 2007;3(7):737-747. doi.org/10.5664/jcsm.27032
  4. Collop NA, Tracy SL, Kapur V, et al. Obstructive sleep apnea devices for out-of-center (OOC) testing: technology evaluation. J Clin Sleep Med. 2011;7(5):531-548. doi.org/10.5664/JCSM.1328
  5. Duarte RLM, Togeiro SMGP, Palombini LO, et al. Brazilian Thoracic Association Consensus on Sleep-disordered Breathing. J Bras Pneumol. 2022;48(4):e20220106. doi.org/10.36416/1806-3756/e20220106

Conteúdo informativo. Não substitui a consulta: o diagnóstico e a indicação de tratamento são feitos pelo médico.

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Ft. Ana Cláudia Matos e Faria, fisioterapeuta e fundadora da Sonofisio, de jaleco e braços cruzados

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