Cama desarrumada com travesseiro amassado de manhã e uma xícara de café no criado-mudo

Apneia do sono

Sintomas de apneia do sono: sinais de dia e de noite

Ronco alto, pausas na respiração e cansaço durante o dia são os sinais mais conhecidos, mas não os únicos. Veja a lista completa e quando procurar avaliação.

5 min de leituraPor Sonofisio

Os sintomas mais comuns da apneia do sono são ronco alto, pausas na respiração percebidas por outra pessoa, engasgos durante a noite e sonolência ou cansaço durante o dia. Muitos sinais acontecem enquanto a pessoa dorme, por isso quem divide o quarto costuma notar primeiro. Também é importante saber que parte das pessoas com apneia tem poucos sintomas ou nenhum. Por isso, o conjunto de sinais e o exame do sono contam mais do que um sintoma isolado.

Sinais durante a noite

O Instituto Nacional do Coração, Pulmão e Sangue dos Estados Unidos (NHLBI) e as diretrizes da Academia Americana de Medicina do Sono (AASM) citam estes sinais noturnos:

  • Ronco alto e frequente, mais comum nos homens.
  • Respiração que para e volta, notada por quem dorme ao lado.
  • Engasgos ou despertares com sensação de falta de ar.
  • Acordar várias vezes para urinar.
  • Sono picado, com dificuldade para continuar dormindo.

Se você dorme sozinho, alguns indícios aparecem de manhã: boca seca ao acordar, dor de cabeça logo cedo ou a sensação de ter dormido a noite toda sem descansar. Nem todos os sinais aparecem juntos, e a intensidade varia muito de uma pessoa para outra.

Sinais durante o dia

As pausas repetidas fragmentam o sono e o corpo sente durante o dia. Os sinais mais citados são:

  • Sonolência e cansaço, que atrapalham o aprendizado, a atenção e o tempo de reação.
  • Sono que não descansa, mesmo depois de muitas horas na cama.
  • Dor de cabeça pela manhã.
  • Boca seca.
  • Dificuldade de concentração e falhas de memória.
  • Irritabilidade.
  • Diminuição do desejo sexual ou disfunção sexual.

O NHLBI destaca que cansaço, dor de cabeça e insônia são mais comuns nas mulheres. Por isso, em muitas mulheres a apneia não aparece como o ronco clássico, e sim como insônia, fadiga ou dor de cabeça.

Sonolência: como medir e por que ela pode faltar

Uma forma simples de medir a sonolência é a Escala de Sonolência de Epworth. A pessoa avalia a chance de cochilar em oito situações comuns do dia a dia. No estudo que criou a escala, as pontuações separaram bem as pessoas sem problema de sono dos pacientes com apneia obstrutiva.

Mesmo assim, a sonolência não aparece em todos. Uma revisão publicada no JAMA aponta que, na população geral, só 15% a 50% das pessoas com apneia relatam sonolência excessiva. Ou seja, a falta de sono durante o dia não afasta a doença.

Não sentir sono durante o dia não descarta apneia do sono.

E nas crianças?

A apneia também pode acontecer na infância, e os sinais nem sempre são os mesmos dos adultos. Segundo o NHLBI, além do ronco, a criança pode voltar a fazer xixi na cama, ter piora da asma e apresentar dificuldade de atenção na escola. Nesses casos, o caminho é conversar com o pediatra.

Quem deve ficar mais atento

A diretriz da AASM lista grupos com risco mais alto, em que os sintomas de apneia devem ser investigados:

  • Pessoas com obesidade.
  • Pressão alta difícil de controlar com remédios.
  • Insuficiência cardíaca, fibrilação atrial ou arritmias durante a noite.
  • Diabetes tipo 2.
  • Histórico de AVC.
  • Hipertensão pulmonar.
  • Motoristas profissionais e outras pessoas em que a sonolência ao volante traz mais risco.
  • Quem vai fazer cirurgia bariátrica.

A relação com o coração é especialmente importante: a apneia está associada a um risco duas a três vezes maior de doenças cardiovasculares e metabólicas. Entenda melhor em apneia do sono e pressão alta.

Como levar os sintomas para a consulta

Como muitos sinais aparecem durante o sono, chegar à consulta com algumas anotações ajuda o médico a entender o quadro:

  • Peça a quem dorme com você para observar se há ronco, pausas na respiração ou engasgos, e com que frequência.
  • Anote em quais situações você cochila sem querer durante o dia.
  • Registre se acorda com dor de cabeça, boca seca ou vontade de urinar durante a noite.
  • Leve a lista dos remédios que usa e, se tiver, as medidas recentes da pressão.

Do sintoma ao diagnóstico

Os sintomas levantam a suspeita, mas não fecham o diagnóstico. A AASM recomenda que questionários e escalas não sejam usados sozinhos para diagnosticar apneia. O diagnóstico é feito com a polissonografia ou, em adultos sem outras doenças importantes e com sinais de apneia moderada a grave, com um teste domiciliar para apneia do sono. Se o teste em casa vier negativo ou inconclusivo e a suspeita continuar, a recomendação é fazer a polissonografia.

O primeiro passo é contar os sintomas ao médico. Se ele indicar o exame em casa, a polissonografia domiciliar permite dormir na sua cama com os sensores. A oximetria noturna, que mede a oxigenação durante o sono, pode ajudar no rastreio, mas não substitui a polissonografia: veja a diferença em oximetria ou polissonografia.

Quando procurar avaliação logo

  • Sonolência ao dirigir ou ao operar máquinas. Até a avaliação, evite dirigir com sono.
  • Pausas na respiração percebidas com frequência por quem dorme ao lado.
  • Pressão alta que não controla mesmo com remédios.
  • Cansaço que atrapalha o trabalho, os estudos ou a convivência.

Se a apneia for confirmada, o médico define o tratamento. Ele pode incluir perda de peso e atividade física, aparelho intraoral ou um aparelho de pressão positiva, como o CPAP. Para comprar ou alugar o CPAP, é preciso ter o diagnóstico e a indicação médica. Saiba mais sobre o que é apneia do sono e sobre a diferença entre ronco e apneia do sono.

Referências

  1. National Heart, Lung, and Blood Institute (NHLBI). Sleep Apnea: Symptoms. National Institutes of Health. www.nhlbi.nih.gov/health/sleep-apnea/symptoms
  2. Epstein LJ, Kristo D, Strollo PJ Jr, et al. Clinical guideline for the evaluation, management and long-term care of obstructive sleep apnea in adults. J Clin Sleep Med. 2009;5(3):263-276. doi.org/10.5664/jcsm.27497
  3. Gottlieb DJ, Punjabi NM. Diagnosis and Management of Obstructive Sleep Apnea: A Review. JAMA. 2020;323(14):1389-1400. doi.org/10.1001/jama.2020.3514
  4. Johns MW. A new method for measuring daytime sleepiness: the Epworth sleepiness scale. Sleep. 1991;14(6):540-545. doi.org/10.1093/sleep/14.6.540
  5. Kapur VK, Auckley DH, Chowdhuri S, et al. Clinical Practice Guideline for Diagnostic Testing for Adult Obstructive Sleep Apnea: An American Academy of Sleep Medicine Clinical Practice Guideline. J Clin Sleep Med. 2017;13(3):479-504. doi.org/10.5664/jcsm.6506

Conteúdo informativo. Não substitui a consulta: o diagnóstico e a indicação de tratamento são feitos pelo médico.

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Ft. Ana Cláudia Matos e Faria, fisioterapeuta e fundadora da Sonofisio, de jaleco e braços cruzados

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